
Na sexta-feira em que a poeta canta que todo mundo é baiano junto, eles e elas vinham chegando de branco e de outras cores e estampas. Felizes e elegantes, encantados pelo entardecer da primavera de um 25 de setembro. Vestidos de afeto para reencontrar um novo velho amigo das artes e da cultura: o Teatro Vila Velha.
E encontraram um sexagenário em plena vitalidade e cheio de esperança num mundo melhor, que já chegou anunciando as novidades de sua reforma e de sua qualificação. Foram R$ 28,6 milhões investidos pela Prefeitura de Salvador — R$ 14,6 milhões na obra física e na recuperação do Passeio Público e R$ 14 milhões na aquisição de equipamentos —, que deixaram o teatro prontinho para as próximas décadas do século 21: acessibilidade universal para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida; novo sistema de climatização; aperfeiçoamentos tecnológicos no ambiente, na acústica, na iluminação, na sonorização e na cenotecnia; e ainda estúdio de gravação, elevador, rampa e toda uma estrutura que projeta o Vila como um dos espaços mais equipados e acessíveis do Brasil.
O teatro reabre com três salas de espetáculo: a sala principal, o Cabaré dos Novos e uma sala experimental, instalada no antigo espaço de ensaio João Augusto.
“A importância desse lugar é enorme. Principalmente porque, com a reforma do teatro, veio a reforma do Passeio Público. A prefeitura entendeu que, para o teatro ser acessível, o caminho até o teatro tinha que ser acessível. Então fizeram essa reforma, e isso é uma felicidade muito grande, porque é um espaço público para as crianças e para o público em geral. O Vila Velha é esse lugar de encontro”, explica Marcio Meirelles, diretor artístico do Teatro Vila Velha.
A obra foi realizada pela Prefeitura de Salvador, por meio da Sucop, com projeto coordenado pela Fundação Mário Leal Ferreira e assinado pelos arquitetos Nivaldo Andrade e Mário Vitor Bastos, da A+P Arquitetos Associados, com consultoria de Carl von Hauenschild, autor da reforma de 1994.
“Há exatos 62 anos, Gil, Caetano e tantos outros grandes artistas inauguravam esse teatro, que foi palco da revelação e produção cultural da Bahia, projetando aqui os nossos artistas, que lideraram movimentos culturais no Brasil e no mundo. Esse equipamento tem o propósito de resgatar a nossa memória, valorizar a nossa história, estimular o setor cultural, que é tão importante para a nossa economia, que gera milhares de empregos e renda para soteropolitanos e baianos”, relembrou o prefeito de Salvador, Bruno Reis.
E quem ficou ainda mais feliz com isso tudo foi o Passeio Público de Salvador, que do seu portal de acesso dava um sorriso largo, vendo o seu corpo florescer de beleza, de jardins e estátuas, banquinhos, passeios e outras estruturas restauradas. E seus mirantes novinhos e iluminados pelo pôr do sol da Baía de Todos os Santos. Ali, o patrimônio centenário recebia o seu povo, como quem mata a saudade de uma gente amiga que volta a visitar sua casa agora renovada e florida como a primavera.
“É um dia de muita alegria, esse momento de reinauguração do Passeio Público, reinauguração do Vila Velha, um recomeço do Vila Velha, nesse espaço que volta a ser um ponto de conexão na cidade, que conecta a cidade com a arte, com a cultura. A história do Vila Velha aqui há mais de 60 anos e, em breve, a abertura do CCBB, os dois aqui com esse espaço requalificado. É uma alegria para a cidade, para a Bahia”, percebe Júlio Paranaguá, diretor do CCBB Salvador.

E teve Escola de Samba (Filhos da Feira de São Joaquim), samba-enredo, samba no pé e a música cantando e contando os 62 anos de história do Teatro Vila Velha, com uma constelação de artistas e amigos da casa. Estiveram lá o diretor artístico e a diretora de projetos do Vila, Marcio Meirelles e Cristina Castro; Sônia Robatto, uma das fundadoras do teatro; as atrizes Chica Carelli, Menik Marla e Clara Torres; a ministra da Cultura, Margareth Menezes; o prefeito Bruno Reis e sua equipe; além de artistas, políticos, produtores culturais e do público baiano. Entre os produtores presentes estavam Dalmo Peres e Luan Peres, da Caderno 2 Produções Artísticas.
“Eu venho justamente para prestigiar, porque o Teatro Vila Velha é um teatro que tem a história do teatro brasileiro. Aqui, especialmente na época da ditadura, foi onde se refugiaram os artistas. Tem aí o Teatro dos Novos, primeira companhia profissional de teatro da Bahia. E eu estive aqui no começo da minha carreira: tanto o meu primeiro show, para concorrer ao Troféu Caymmi, como também me apresentei nas peças de teatro. Então, para mim, estar aqui é um momento emocionante. O Vila Velha tem esse simbolismo todo, é uma coisa que deixa todos nós felizes, da cena musical, da cena da dança, do teatro e do Brasil”, reconhece a ministra da Cultura, Margareth Menezes.
E para quem estava ansioso para voltar a viver a intensa programação cultural do Vila, já pode ir anotando: em outubro estreia o espetáculo “Nilda, Uma Mulher Retada”, no dia 9, com texto de Marcos Uzel, encenação de Marcio Meirelles e um grande elenco de artistas renomados e premiados do teatro baiano. A criançada também encontra espaço cativo nesse calendário, já programado até janeiro, por meio do projeto Pé de Feijão Arte e Educação, que leva ao cartaz o espetáculo “Vila ABCD”, da Cia. Brasil de Teatro, para 800 crianças, de forma gratuita e com mediação cultural para escolas públicas e projetos sociais. Nessa mesma perspectiva, a política de atuação em rede aparece com clareza no segundo encontro da Rede Pavio de Grupos de Teatro do Nordeste, que reúne mais de 50 grupos de teatro de ação e pesquisa continuadas, presentes nos nove estados nordestinos.
Serviço
Teatro Vila Velha — Passeio Público, Campo Grande, Salvador (BA)
Programação completa: @teatrovilavelha
“Nilda, Uma Mulher Retada” — estreia em 9 de outubro. Ingressos pela Sympla.
Texto e fotos: Arlon Souza, para o Portal Caderno 2
Nota de transparência: o Portal Caderno 2 é mantido pela Caderno 2 Produções Artísticas, cujos gestores são citados nesta reportagem entre os presentes ao evento.











