Dalmo Peres defende fortalecimento da cultura e ampliação de investimentos no setor em entrevista à Band

Fundador da Caderno 2 Produções falou sobre a importância econômica e social da cultura na Bahia e defendeu o aumento dos recursos destinados ao FazCultura como caminho para ampliar a produção e a geração de empregos no estado
Publicado em 11 de agosto de 2026

 

Com mais de três décadas de atuação no setor cultural baiano, o produtor cultural e fundador da Caderno 2 Produções, Dalmo Peres, concedeu entrevista à Band para falar sobre a importância da cultura para a Bahia, os desafios enfrentados pelo setor e a necessidade de fortalecimento das políticas de fomento.

Na conversa, Dalmo partiu da própria experiência profissional para defender a cultura como um patrimônio que ultrapassa sua dimensão artística e exerce papel relevante na economia, na geração de trabalho e na construção da identidade baiana.

“Eu atuo aqui no setor cultural da Bahia há mais de 30 anos. Então, eu entendo a cultura como um bem muito precioso, não só para o povo baiano, mas para a humanidade”, afirmou.

Para o produtor, essa importância exige responsabilidade na formulação e execução das políticas destinadas ao setor, especialmente diante da dimensão que a cadeia produtiva da cultura alcançou ao longo dos últimos anos.

Cultura também é desenvolvimento econômico

Ao longo da entrevista, Dalmo chamou atenção para a necessidade de compreender a cultura também como atividade econômica. Por trás de espetáculos, festas, projetos, manifestações populares e demais iniciativas culturais, existe uma extensa cadeia formada por artistas, produtores, técnicos e diferentes prestadores de serviços.

Essa estrutura faz com que o investimento em cultura tenha reflexos que vão além da realização dos próprios projetos, movimentando outros segmentos da economia e criando oportunidades de trabalho.

A discussão ganha relevância especialmente na Bahia, onde manifestações culturais, patrimônio, música, festas populares, artes cênicas e tradições de matriz africana possuem forte presença na formação social e econômica do estado.

FazCultura: Dalmo defende ampliação de R$ 15 milhões para R$ 45 milhões

Um dos pontos de destaque da entrevista foi a avaliação de Dalmo sobre o FazCultura, programa estadual de incentivo que viabiliza o patrocínio de projetos culturais por meio de renúncia fiscal.

O produtor classificou o programa como uma iniciativa importante para a produção cultural baiana, mas avaliou que o volume de recursos atualmente disponibilizado já não acompanha a demanda existente no setor.

“Nós temos um programa de fomento aqui no Governo do Estado, que é o programa FazCultura, um programa excelente, que atende realmente a uma boa parte da produção cultural da Bahia. Mas hoje ele ficou deficitário”, afirmou.

Segundo Dalmo, atualmente são destinados R$ 15 milhões em renúncia fiscal ao mecanismo, montante que ele considera insuficiente diante da capacidade de utilização dos recursos pela cadeia cultural.

Na entrevista, o produtor defendeu que o limite seja revisto e apresentou uma estimativa concreta para essa ampliação.

“A gente tem condição hoje de ocupar uma renúncia fiscal, de gastar uma renúncia fiscal três vezes do que está se oferecendo hoje, que é de 15 milhões. Então, tranquilamente poderia ser 45”, declarou.

Para Dalmo, elevar o montante para R$ 45 milhões teria impacto direto sobre a atividade econômica gerada pela cultura. Em sua avaliação, a ampliação poderia triplicar a quantidade de empregos diretos associados à cadeia criativa cultural.

A fala coloca o financiamento da cultura no centro de uma discussão que envolve não apenas a continuidade de projetos e iniciativas artísticas, mas também sua capacidade de movimentar profissionais, empresas e fornecedores ligados ao setor.

Políticas públicas e continuidade

Ao defender o fortalecimento do FazCultura, Dalmo também ressaltou a necessidade de que o poder público acompanhe o crescimento e as transformações da produção cultural baiana.

A avaliação apresentada durante a entrevista aponta para uma diferença entre a capacidade atual do setor de desenvolver projetos e o volume de recursos disponibilizado pelo mecanismo estadual de incentivo. Nesse contexto, a ampliação da renúncia fiscal aparece como uma das medidas defendidas pelo produtor para aproximar o programa da demanda existente.

Com uma trajetória profissional iniciada há mais de 30 anos, Dalmo acompanha diferentes momentos das políticas culturais e do mercado de produção na Bahia. À frente da Caderno 2 Produções, atua no desenvolvimento e na realização de projetos culturais, além do relacionamento entre iniciativas culturais, instituições e patrocinadores.

Sua participação na reportagem da Band trouxe para o debate justamente a perspectiva de quem acompanha essa cadeia produtiva na prática: a defesa da cultura como patrimônio e direito, mas também como setor capaz de gerar trabalho, renda e desenvolvimento.

Para Dalmo, ampliar os mecanismos disponíveis para a cultura significa ampliar também os efeitos econômicos produzidos por ela. No caso do FazCultura, sua defesa é objetiva: se há demanda e capacidade para utilizar um volume maior de recursos, o limite atual de R$ 15 milhões precisa ser revisto.