Semana da Mãe Preta reúne diferentes gerações em três dias de programação no Curuzu

Evento promovido pelo Ilê Aiyê acontece nos dias 15, 16 e 18 de setembro, no Terreiro Acè Jitolu, com atividades gratuitas dedicadas à memória, às experiências e ao protagonismo das mulheres negras
Publicado em 11 de setembro de 2026

O Ilê Aiyê realiza, nos dias 15, 16 e 18 de setembro, mais uma edição da Semana da Mãe Preta, encontro que integra a trajetória do bloco desde 1979 e coloca as experiências das mulheres negras no centro de uma programação que reúne arte, memória, formação e debate.

Com o tema “Mulheres Negras: Memória, 

Resistência e Ancestralidade”, a edição de 2026 acontece no Terreiro Acè Jitolu, no Curuzu, em Salvador, com entrada gratuita. A curadoria é das jornalistas Valéria Lima e Val Benvindo, netas de Mãe Hilda Jitolu.

Durante os três dias, o público poderá acompanhar exposição fotográfica, homenagens, rodas de conversa, produções audiovisuais e apresentações musicais. A proposta é aproximar diferentes gerações e discutir tanto a preservação da memória quanto questões que atravessam a vida das mulheres negras na contemporaneidade.

Memória de mulheres que construíram o Ilê

A programação começa na terça-feira (15) com a abertura da exposição fotográfica “Mulheres que constroem a nossa história”, formada por imagens de Mãe Hilda Jitolu, Eugênia Lúcia e outras mulheres ligadas à história do Ilê Aiyê, do Terreiro Acè Jitolu e do Curuzu.

O primeiro dia também reserva uma homenagem a Eugênia Lúcia, idealizadora dos Cadernos de Educação do Ilê Aiyê e uma das referências da educação antirracista e da valorização da cultura afro-brasileira. A mesa terá as participações de Vovô do Ilê, Arany Santana, Valéria Lima e Val Benvindo.

Para Val Benvindo, recuperar essas trajetórias é também reconhecer os caminhos abertos por mulheres negras para as gerações que vieram depois.

“Foram mulheres que pavimentaram esse mundo quando eu nem estava aqui e quando muitas de nós, que hoje ocupamos lugares de poder e espaços importantes, nem sonhávamos estar aqui”, afirma a curadora.

Ainda no dia 15, haverá exibição do filme “O Dia de Jerusa” e a roda de conversa “Ainda temos muito para viver: mulheres negras, tempo, desejo e liberdade”, com Letícia Sotero e Cida Garcia. O encontro abordará envelhecimento, autonomia, memória, desejo e liberdade, questionando estereótipos relacionados às mulheres negras mais velhas. A cantora Jann Souza encerra o dia com um pocket show.

Identidade, empreendedorismo e saúde mental

Na quarta-feira (16), a Semana da Mãe Preta direciona o olhar para questões contemporâneas. Dete Lima e Najara Black participam da conversa “Moda Afro-brasileira: Identidade, Ancestralidade e Empreendedorismo”, que discute a moda como expressão cultural, afirmação de identidade e possibilidade de geração de renda.

A programação também abre espaço para discutir os impactos das masculinidades negras sobre a vida das mulheres. O historiador Dofono Hinxi e o psicólogo Diego Wellerson participam da roda “Masculinidades Negras, Saúde Mental e os Impactos nas Vidas das Mulheres Negras”, abordando relações afetivas, familiares e comunitárias e a importância do cuidado com a saúde emocional.

Encontro entre gerações encerra programação

O último dia, sexta-feira (18), começa com “Memórias Negras da Bahia”, com Amanda Tropicana e Urânia Muzanzo. Na sequência, será exibido o documentário “Juntas pelo Bem Viver: Vozes da Marcha das Mulheres Negras”, que registra processos de mobilização e organização política das mulheres negras no país.

A programação segue com a roda “Gerações de Mulheres Negras”, mediada por Luanda Simax, promovendo o encontro entre diferentes gerações para compartilhar experiências, trajetórias e estratégias de transformação social. O encerramento será musical, com apresentação da Band’Aiyê.

A Semana da Mãe Preta tem como uma de suas principais referências Mãe Hilda Jitolu, matriarca do Ilê Aiyê e figura central na relação entre educação, cultura, religiosidade e comunidade construída no Curuzu. Em 2026, o evento retoma esse legado a partir de novas vozes, conectando as histórias das mulheres que ajudaram a construir o Ilê às experiências das gerações atuais.

A realização é da Associação Cultural Bloco Carnavalesco Ilê Aiyê e do Ministério da Cultura, com coordenação da Caderno 2 Produções e produção do Instituto Mãe Hilda Jitolu. A iniciativa conta com apoio do ITS Brasil, parceria do Salvador Capital Afro, Secult e Prefeitura de Salvador, patrocínio do Grupo Belov e patrocínio master da Petrobras.

Serviço

Semana da Mãe Preta 2026
Tema: Mulheres Negras: Memória, Resistência e Ancestralidade
Quando: 15, 16 e 18 de setembro de 2026
Onde: Terreiro Acè Jitolu – Curuzu, Salvador
Entrada: gratuita