
A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) recebeu, nesta segunda-feira (10), no Auditório Jornalista Jorge Calmon, uma das atividades do Colóquio Internacional Cultura, Relações Exteriores, Desenvolvimento e Reparação. O encontro reuniu representantes brasileiros e africanos para discutir ancestralidade, relações internacionais, desenvolvimento e políticas de reparação.
A programação faz parte de uma agenda de atividades que acontece entre 10 e 16 de agosto, em Salvador e Cachoeira, reunindo debates, encontros institucionais e ações culturais voltadas ao fortalecimento das relações entre a Bahia e o continente africano.
Durante a abertura na ALBA, a vice-presidente da Casa, deputada Fátima Nunes, destacou a importância de discutir direitos, reparação e justiça social a partir da história da população negra. Segundo ela, o encontro representa uma oportunidade de ampliar o diálogo sobre desigualdades históricas e sobre a construção de políticas capazes de enfrentá-las.
Mestre de cerimônia do evento, o cantor e compositor Tonho Matéria, diretor de Cultura do Instituto Afro-900, também ressaltou a proposta do encontro de olhar para a história sem perder de vista os desafios do presente e do futuro.
Reparação no centro das discussões
Um dos principais temas abordados durante o encontro foi a reparação histórica à população negra.
O antropólogo Roberto Pinho apresentou uma contextualização sobre o Colóquio Internacional e mencionou iniciativas de integração entre Brasil e África, além de experiências anteriores de intercâmbio cultural entre a Bahia e países do continente.
Em sua fala, ele defendeu que o debate sobre reparação precisa ultrapassar o campo simbólico e alcançar medidas concretas.
“A reparação não pode se limitar apenas a uma única palavra (perdoe-nos) na boca dos opressores do passado e do presente. A reparação é inaceitável se, ao mesmo tempo, não vier acompanhada de todas as reformas socioeconômicas necessárias a uma reparação de verdade”, afirmou.
Convidada especial da atividade, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, relacionou o tema às desigualdades ainda enfrentadas pela população afrodescendente no Brasil e defendeu a construção de ações efetivas de reparação.
Segundo a ministra, o país possui uma dívida histórica com a população negra, sendo necessário transformar o debate em políticas públicas capazes de produzir mudanças concretas.
Relação entre Bahia e África
A programação também abordou os vínculos históricos, culturais e religiosos entre a Bahia e o continente africano.
O presidente da Fundação Palmares, João Jorge Rodrigues, lembrou que a Bahia reúne uma das maiores populações de origem africana fora do continente e ressaltou a presença dessa herança em diferentes dimensões da vida baiana, como religião, gastronomia, música e manifestações culturais.
Já Raimundo Bujão, presidente do Fórum de Entidades Negras da Bahia, reforçou a necessidade de ampliar o conhecimento sobre as conexões históricas entre Salvador e diferentes territórios africanos.
A secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais, Ângela Guimarães, também participou das discussões e destacou a relação da Bahia com tradições civilizatórias africanas.
Entre os participantes estiveram ainda representantes diplomáticos de países africanos, como os embaixadores de Togo, Gana e Costa do Marfim, além de representantes institucionais, gestores públicos e integrantes de organizações ligadas à cultura e à promoção da igualdade racial.
Programação segue em Salvador e Cachoeira
Após as atividades realizadas na ALBA, a programação do Colóquio Internacional segue com novas ações em Salvador e Cachoeira.
Na cidade do Recôncavo Baiano, estão previstas atividades ligadas à história local, encontros institucionais e a agenda de aproximação com Aného, no Togo. Entre os destaques está a cerimônia de irmanamento entre as duas cidades, iniciativa que busca fortalecer as relações culturais e institucionais entre Bahia e África.
O Colóquio segue até 16 de agosto, quando a programação retorna a Salvador para as atividades de encerramento.
Serviço
Colóquio Internacional – Cultura, Relações Exteriores, Desenvolvimento e Reparação
Quando: 10 a 16 de agosto de 2026
Onde: Salvador e Cachoeira (BA)
Temas: ancestralidade africana, cultura, relações exteriores, desenvolvimento, igualdade racial e reparação histórica.











