Coroa Vermelha será palco do 1º Festival do Artesanato Indígena com show de Xamã e feira de economia solidária

Evento inédito acontece entre 6 e 8 de fevereiro em Santa Cruz Cabrália; seleção dos 60 artesãos que exporão no festival entra em fase de análise técnica.
Publicado em 7 de janeiro de 2026
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Ricardo Filho – Ascomo/Setre

O Extremo Sul da Bahia se prepara para sediar um marco na valorização da cultura dos povos originários. Entre os dias 6 e 8 de fevereiro de 2026, a Aldeia Indígena de Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, receberá a primeira edição do Festival do Artesanato Baiano Indígena e da Economia Solidária (FABI). O evento, que promete imersão em saberes ancestrais, confirmou uma atração de peso para o palco principal: o rapper e ator Xamã, que trará sua musicalidade para somar à celebração da identidade indígena.

O festival foi desenhado para ser muito mais que uma festa; trata-se de uma estratégia de política pública e afirmação territorial. A programação reunirá representantes de cerca de 20 etnias — incluindo Pataxó, Tupinambá, Kiriri, Kaimbé e Kariri-Xocó — em uma agenda que mistura feira de artesanato, desfiles de moda autoral, “cozinha show” com gastronomia tradicional, exposições fotográficas e painéis de debate com ativistas.

Um Território de Resistência e Oportunidade

A escolha de Coroa Vermelha não é aleatória. O local é um território simbólico da resistência histórica no Brasil. Segundo Kâhu Pataxó, presidente da Federação Indígena das Nações Pataxó e Tupinambá (FINPAT), o desafio é “construir um evento do tamanho dos povos indígenas da Bahia, demarcar o espaço e fazer com que o FABI entre no calendário anual”.

Do ponto de vista econômico, o FABI atua como um motor para a economia solidária. Augusto Vasconcelos, titular da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), destaca que o festival é um vetor direto de geração de renda e trabalho digno. A estrutura conta com o suporte dos Centros Públicos de Economia Solidária (Cesol); somente na Costa do Descobrimento, o Cesol já atende 56 empreendimentos indígenas em 25 comunidades, evidenciando a força produtiva que o evento pretende vitrinear.

Fonte/Crédito
Ricardo Filho

Seleção dos Expositores em Andamento

O cronograma do festival avança nesta semana. Após o encerramento das inscrições na última segunda-feira (5), a organização inicia agora a análise documental e técnica para selecionar os 60 participantes que ocuparão os estandes.

O edital, focado na diversidade e inclusão, contempla artesãos individuais, mestres e entidades representativas, reservando cotas específicas para Mestres Artesãos Indígenas e pessoas com deficiência. A curadoria busca apresentar ao público o que há de mais autêntico na produção manual do estado, conectando tradição e design.

Programe-se

Para quem planeja visitar a Costa do Descobrimento no próximo mês, o FABI se apresenta como uma parada obrigatória para entender a Bahia profunda.

  • O quê: I Festival do Artesanato Baiano Indígena e da Economia Solidária (FABI)

  • Quando: 6 a 8 de fevereiro de 2026

  • Onde: Aldeia Indígena Coroa Vermelha, Santa Cruz Cabrália (Extremo Sul da Bahia)

  • Destaques: Show de Xamã, Feira de Artesanato, Desfile de Moda e Gastronomia.