
Uma das mais simbólicas manifestações religiosas do interior baiano ganha releitura artística no Centro Histórico de Salvador. A exposição “Terno das Almas”, em cartaz no ME Ateliê da Fotografia, apresenta um conjunto de 16 obras inéditas inspiradas na tradicional procissão realizada no distrito de Igatu, na Chapada Diamantina.
Com curadoria do fotógrafo Reinaldo Giarola, a mostra reúne artistas do Brasil e dos Estados Unidos em uma proposta que atravessa fotografia, artes visuais e memória cultural. Em cartaz até o dia 26 de abril, a exposição convida o público a acessar, por meio da arte, os sentidos simbólicos de um dos rituais mais comoventes do interior baiano.
Entre fé, memória e imagem
O Terno das Almas é uma procissão tradicional marcada por cânticos e orações em devoção às chamadas “Santas Almas Benditas”, realizada durante a Semana Santa nas ruas de Igatu. Vestidos de branco, os participantes percorrem caminhos à luz de velas, em uma experiência que mistura religiosidade, ancestralidade e pertencimento.
Na exposição, esse universo é traduzido em múltiplas linguagens visuais. As obras exploram elementos centrais do ritual — como as vestes brancas, a presença da cruz, a atmosfera noturna e a relação entre silêncio e devoção — criando um diálogo entre tradição e contemporaneidade.
Um território simbólico em movimento
A mostra também resgata o contexto histórico do Terno das Almas, cuja continuidade foi ameaçada ao longo do século XX, com o esvaziamento populacional das antigas Lavras Diamantinas. A retomada do ritual, após mais de duas décadas de interrupção, é um dos eixos que atravessam a exposição.
Segundo o curador Reinaldo Giarola, que acompanha e registra a manifestação há anos, a proposta da exposição nasce do desejo de preservar e ampliar o alcance desse patrimônio imaterial. Ao longo de duas décadas, ele documentou o processo de reativação do Terno, evidenciando sua força simbólica e sua capacidade de mobilizar a comunidade.
Olhares diversos sobre um mesmo rito
Participam da mostra artistas como Acson Barbosa, Ana Kruschewsky, Armando Cr, Cesare Simioni, Dorge Stuart, Gelaryn Shukwit (EUA), Giácomo Mancini, Henrique Muccini, Magali Abreu, Marcelo Edington, Rebouças, Ricardo Macedo, Tarciso Albuquerque, Vânia Viana e Vini Chapada, além do próprio Giarola.
Cada obra propõe uma leitura singular do ritual. Há abordagens que enfatizam o contraste entre luz e sombra, outras que se concentram na paisagem humana e nos gestos mínimos, e ainda aquelas que exploram a dimensão simbólica e espiritual da procissão. O conjunto revela a potência do Terno das Almas como fonte de criação e reflexão estética.
Experiência sensorial no Centro Histórico
Localizado no bairro do Santo Antônio Além do Carmo, o ME Ateliê da Fotografia se torna, com a exposição, um espaço de escuta e contemplação. A proposta é que o visitante não apenas observe as obras, mas mergulhe na atmosfera do ritual, percebendo suas camadas de significado e sua relação com a identidade cultural baiana.
A exposição está aberta ao público de sexta a domingo, das 16h às 19h, com entrada gratuita.
Serviço
Exposição “Terno das Almas”
Período: até 26 de abril
Local: ME Ateliê da Fotografia – Santo Antônio Além do Carmo, Salvador
Visitação: sexta a domingo, das 16h às 19h
Entrada: gratuita











