
O encerramento do Mês da Consciência Negra em Salvador será marcado pela cadência do samba e pela ocupação de um dos territórios mais simbólicos da diáspora africana. Nesta sexta-feira (28), a partir das 19h, o Largo do Pelourinho se transforma em cenário para uma edição especial e gratuita do Banjo Novo. O projeto, que vem ganhando corpo e relevância na cena cultural soteropolitana, propõe não apenas uma festa, mas um movimento de reafirmação identitária através da música.
Idealizado por Samora Lopes e Igor Reis, o evento chega ao Centro Histórico carregando a energia do sucesso de sua edição “Banjo de Rua”, realizada em outubro. A escolha do Pelourinho para fechar este ciclo de novembro não é aleatória; é uma demarcação de território. Entre os casarões coloniais e as ladeiras que guardam a memória da resistência, a roda de samba se estabelece como um elo entre o passado ancestral e a contemporaneidade da cultura negra baiana.
Um Rito de Comunidade
A filosofia do Banjo Novo transcende o entretenimento. Para seus organizadores, trata-se de um exercício de coletividade. “É um movimento feito por nós e para nós, impulsionado pela força comunitária e pela beleza da coletividade”, define Samora Lopes. A proposta é criar um ambiente onde o público não seja apenas espectador, mas parte integrante de um “abraço coletivo”, transformando o evento em uma memória viva que pulsa no ritmo do recôncavo e da capital.
Igor Reis, co-idealizador, reforça que a edição carrega um significado profundo de acolhimento. “Ali, o público se reconhece, se acolhe e se fortalece”, pontua. A musicalidade serve como o fio condutor que atravessa gerações, unindo jovens e antigos em uma mesma celebração. É um espaço onde a tradição do samba de roda e do partido alto dialoga com a vivência urbana atual, criando uma atmosfera de pertencimento que só Salvador é capaz de proporcionar.

Tradição e Acesso
Conhecido por suas edições que muitas vezes ocorrem sob a tradição do uso de roupas brancas às sextas-feiras e a mística da vela que marca o tempo do samba, o Banjo Novo democratiza o acesso nesta edição especial. A entrada é franca, sujeita apenas à lotação do largo, garantindo que a celebração seja, de fato, popular. É uma oportunidade para vivenciar a força de um projeto que cresce organicamente, alimentado pela própria comunidade que o abraça.
Para acompanhar as novidades e a cobertura do evento, o público pode acessar o perfil oficial no Instagram: @banjo_novo.











