
Um dos personagens mais tradicionais e afetuosos do cotidiano soteropolitano — o vendedor de café ambulante — é a figura central de uma nova produção audiovisual que promete subverter o formato do videocast. No dia 10 de novembro, estreia o projeto “Borra – Cafezinho do Futuro”, que usa o humor e o afrofuturismo para investigar a alma criativa de Salvador. A premissa é potente: Borra, um viajante do tempo vivido pelo ator Alan Miranda, estaciona sua “cápsula futurista” (um carrinho de café) para conversar com grandes personalidades da cultura baiana sobre tradição, identidade e, claro, o futuro.
O projeto é apresentado como um videocast de ficção, mas sua raiz é uma pesquisa acadêmica profunda. A iniciativa é uma idealização do ator, dramaturgo e pesquisador Edvard Passos, nascida como um desdobramento de sua tese de doutorado premiada pela UFBA em 2025, “SoteroPoética: matriz do Teatro Carnaval de Salvador”. O videocast, portanto, é a tradução dessa pesquisa para o grande público, uma forma de explorar a “poética coletiva” da cidade, que se manifesta desde a arte do trio elétrico até a inventividade do dia a dia.
Da Academia para a Internet
A proposta de “Borra” é criar um bate-papo que, embora bem-humorado, toca em pontos profundos da cultura local. O cenário é um estúdio, mas a alma é a rua, e o café funciona como um elo afetivo para extrair dos convidados reflexões que fogem do lugar-comum. O projeto, que tem direção de Silvana Moura e produção de Eliane Gomes, foi contemplado pelos Editais da Paulo Gustavo Bahia, com apoio financeiro do Governo do Estado, via Ministério da Cultura.
Uma Temporada de Estrelas
Para a primeira temporada, o videocast traz um time de convidados que representa a diversidade do pensamento e da criação baiana. Serão oito episódios, lançados em duas levas de estreias diárias. A primeira semana começa no dia 10 de novembro com Gerônimo Santana, seguido por Jamile Borges (11/11), Alberto Pitta (12/11) e Tânia Toko (13/11). A segunda semana traz Bagageryer Spilberg (17/11), Lili Almeida (18/11), Edu O. (19/11) e Nitorê Akadã (20/11), fechando um panorama que vai da música à gastronomia, da arte transformista ao patrimônio afro-brasileiro.
Ação Social e Acessibilidade
Antes mesmo de sua estreia online, o projeto já cumpriu uma etapa fundamental de contrapartida social. A ação “Borra nas Escolas” levou o personagem e seu carrinho para um circuito de quatro rodas de conversa com estudantes de colégios públicos, como o Ypiranga e o Severino Vieira. O objetivo foi usar a ludicidade do afrofuturismo para debater imaginação, cultura e futuro com a juventude. Todos os episódios do videocast, gravados no estúdio Bahia Cast, contarão com legendas tradicionais e descritivas, reforçando o compromisso com a acessibilidade.
O “Borra – Cafezinho do Futuro” estará disponível no YouTube e nas redes sociais do projeto.
Links:
Instagram: https://www.instagram.com/borra.cafezinhodofuturo











