
No próximo dia 29 de novembro, o Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, será palco de um momento histórico para a cultura brasileira. O rapper, cantor e compositor Emicida receberá o título de Doutor Honoris Causa, uma das mais altas distinções do meio acadêmico. A cerimônia, marcada para as 18h, coroa uma trajetória que transcendeu os palcos e se consolidou como um pilar de reflexão sobre a identidade negra, a periferia e a construção de um Brasil mais justo.
A concessão do título, aprovada pelo Conselho Universitário (Consun), nasceu de uma demanda legítima da própria comunidade acadêmica. A proposta foi articulada pelo Coletivo de Estudantes Negros da Pedagogia (Cenp), em parceria com o projeto UFRGS Negra, o Movimento Negro Unificado (MNU) e o Diretório Central de Estudantes (DCE). O reconhecimento valida a obra de Leandro Roque de Oliveira não apenas como entretenimento, mas como um “projeto intelectual, educativo e de impacto social”, fundamental para a formação da juventude e para o debate antirracista.
Do “Triunfo” à Academia
A jornada de Emicida até este reconhecimento é marcada pela coerência e pela “reforma agrária na música” que ele mesmo profetizou ao vencer o VMB em 2011. Nascido na Zona Norte de São Paulo, ele transformou a rima em ferramenta de sobrevivência e ascensão. Desde suas primeiras vitórias na Batalha do Santa Cruz, onde ganhou a alcunha que une “MC” e “homicida” (pelo poder de “matar” os adversários nas rimas), Emicida construiu uma discografia que dialoga com a sociologia, a história e a pedagogia.
Seu impacto acadêmico é mensurável: dezenas de teses, dissertações e trabalhos de conclusão de curso já se debruçaram sobre suas letras. Na própria UFRGS, trabalhos como “Tudo que nóiz tem é nóiz: rap como construção de identidade coletiva negra em Amarelo” exemplificam como sua arte serve de base para novas epistemologias. O parecer da universidade destaca que sua produção legitima os saberes da diáspora africana e oferece uma pedagogia contemporânea necessária.
Uma Obra Multidimensional
A carreira de Emicida é um mosaico de sucessos e experimentações. Das mixtapes pioneiras como “Pra quem já Mordeu um Cachorro por Comida…” aos álbuns de estúdio consagrados como “O Glorioso Retorno De Quem Nunca Esteve Aqui” e “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa”, ele sempre buscou expandir as fronteiras do rap.
O projeto “AmarElo”, que inclui álbum e o documentário “É Tudo Pra Ontem” (Netflix), talvez seja a síntese perfeita de sua maturidade artística, unindo o samba, o rap e a história negra em uma narrativa de cura e potência. Além da música, sua atuação como empresário (Laboratório Fantasma), escritor de livros infantis (“Amoras”) e apresentador reforça a amplitude de sua influência.
Serviço
A cerimônia de entrega do título será transmitida ao vivo para todo o mundo, permitindo que fãs e admiradores acompanhem este momento de consagração.
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O quê: Entrega do título de Doutor Honoris Causa a Emicida
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Quando: 29 de novembro, às 18h
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Onde: Salão de Atos da UFRGS (Porto Alegre)
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Transmissão: Canal da UFRGS TV no YouTube










