Ilê Aiyê leva herança ancestral para a passarela do Afro Fashion Day

Bloco foi atração de abertura do desfile principal e marcou presença na Feira da Sé com produtos oficiais da marca.
Publicado em 3 de novembro de 2025
Crédito: Renata Marques

A 11ª edição do Afro Fashion Day, realizada no último sábado (1º) no Terreiro de Jesus, foi um evento de muitos destaques, mas sua abertura deu o tom que definiria toda a noite. Antes que a primeira modelo pisasse nos 75 metros de passarela, um som inconfundível começou a pulsar no Pelourinho, um chamado que dispensa apresentações: os tambores do Ilê Aiyê. Convidado especial para a abertura do desfile, o bloco afro mais antigo do Brasil protagonizou um momento de pura reverência, estabelecendo a ponte sagrada entre a moda, a identidade e a ancestralidade.

A participação do bloco, em parceria com a Neoenergia Coelba, foi um espetáculo cênico por si só. O público, que lotava a praça, foi ao delírio quando cinco Deusas do Ébano, encarnações da realeza e da beleza da mulher negra, surgiram e tomaram a passarela. Elas não apenas desfilaram; elas reinaram, acompanhadas pela cadência inconfundível dos percussionistas do bloco. Foi a bênção necessária, um ato que “abriu os caminhos” e lembrou a todos ali presentes a origem de toda a estética afro-brasileira que seria celebrada naquela noite. O Ilê não estava ali apenas como convidado, mas como fundamento.

O Curuzu Presente na Feira da Sé

E a força do Ilê Aiyê não se limitou ao impacto sonoro e visual do desfile. O bloco também marcou uma presença estratégica e fundamental no coração do evento: a Feira da Sé. Durante todo o sábado, quem circulou pelo espaço de afroempreendedorismo encontrou uma verdadeira embaixada do Curuzu. O estande oficial da marca Ilê Aiyê se tornou um dos pontos de maior visitação da feira.

O espaço oferecia ao público os produtos que carregam o legado e a estética do bloco, como as icônicas camisas, além de acessórios e outros itens. Mais do que simples mercadorias, o estande funcionou como um ponto de conexão direta, onde o público podia adquirir e “vestir” literalmente a causa e a história do Ilê. Foi a prova material de que o bloco é um pilar não apenas cultural, mas também um motor fundamental da economia criativa e do afroempreendedorismo na Bahia.

Crédito IMG: Renata Marques

Um Protagonismo Duplo

Ao ocupar com maestria tanto a passarela quanto a feira, o Ilê Aiyê demonstrou sua relevância em duas frentes vitais. No desfile, agiu como o guardião da memória, o pilar ancestral que valida e dá sentido a um evento de moda negra. Na feira, reafirmou seu papel como uma marca potente, um agente econômico que transforma militância em produtos de desejo. A participação do Ilê no Afro Fashion Day foi a síntese perfeita do evento: uma celebração da beleza que nasce da resistência e se transforma em potência.