Emoção e ancestralidade marcam a 50ª final do Festival de Música Negra do Ilê Aiyê

Senzala do Barro Preto lotada celebrou o cinquentenário do concurso, consagrou as canções do Carnaval 2025 e vibrou com shows da Band’Aiyê e Filhos de Jorge.
Publicado em 27 de janeiro de 2025

A Senzala do Barro Preto viveu uma noite de profunda celebração e reverência à sua história neste domingo (26). O motivo foi a grande final do 50º Festival de Música Negra (FMN) do Ilê Aiyê, um evento que marcou meio século de fomento à composição afro-brasileira. Diante de um público que lotou o Curuzu, 18 compositores finalistas apresentaram suas obras, e o bloco afro mais antigo do Brasil escolheu a trilha sonora que levará para a avenida no Carnaval de 2025, com o tema “Kenya: Berço da Humanidade”.

A noite foi uma jornada pela história do próprio bloco. Desde a abertura dos portões, às 15h, o clima era de expectativa para uma edição comemorativa que recebeu mais de 150 inscrições de todo o país. As 18 canções finalistas — 10 na categoria “Poesia” e 8 na “Tema” — subiram ao palco e demonstraram o altíssimo nível de pesquisa e criatividade dos compositores, que traduziram em música o orgulho, a história e as aspirações do povo negro. A disputa foi acirrada, colocando para a comissão julgadora a difícil tarefa de escolher as vencedoras.

Mais que Música, um Ato Pedagógico

O FMN provou mais uma vez por que transcende o status de simples concurso. Como destacou Sandro Teles, produtor musical e coordenador do festival, o evento é uma “importante atividade artístico-cultural no processo de contar e cantar a história de reinos, países, personalidades, fatos, cultura e religiosidade africana e afro-brasileira”. Esse legado foi reforçado pelo presidente do Ilê, Antônio Carlos Vovô, que lembrou que as letras das canções finalistas são integradas ao Caderno de Educação da entidade, servindo como material pedagógico nas ações educativas do bloco durante todo o ano.

A Consagração e a Festa

Enquanto os jurados deliberavam, o palco foi assumido pelo grupo Filhos de Jorge, que levou o público ao delírio com seus grandes sucessos, incluindo o hit “Ziriguidum”. A energia da Senzala se manteve no au para o momento mais esperado: o anúncio dos vencedores. Os três primeiros colocados de cada categoria foram premiados com o cobiçado Troféu Pássaro Preto, fantasias para o desfile e uma premiação em dinheiro que chegou a R$ 7.700,00.

Após a premiação, a anfitriã Band’Aiyê encerrou a celebração. Em um show eletrizante, a banda não apenas tocou seus clássicos, mas já apresentou ao público, em primeira mão, algumas das novas canções recém-consagradas. A 50ª edição do festival se encerrou assim como começou: fazendo história e provando que a música do Ilê Aiyê é a voz viva da ancestralidade no Carnaval de Salvador.