
O coração do Centro Histórico de Salvador voltará a pulsar com força total. Em uma cerimônia realizada na manhã desta sexta-feira (16), o Governo da Bahia oficializou a cessão do histórico Palacete Saldanha para a Caixa Econômica Federal. O imóvel, que por mais de um século abrigou o Liceu de Artes e Ofícios, será transformado na maior unidade da CAIXA Cultural do país, consolidando o Pelourinho como o principal polo de equipamentos culturais do estado.
O ato de assinatura contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues, da Ministra da Cultura, Margareth Menezes, e do presidente da Caixa, Carlos Vieira. A iniciativa prevê um investimento robusto de R$ 72,2 milhões para restaurar e adaptar o casarão do século XVIII, preservando sua arquitetura barroca de influência hispano-americana tombada pelo IPHAN.


O Que Vem por Aí
O projeto é ambicioso. Com sete mil metros quadrados, a nova sede substituirá a atual unidade da Avenida Carlos Gomes, ampliando significativamente a capacidade de atendimento e a diversidade de atrações. O espaço contará com:
-
Duas grandes galerias de arte;
-
Sala de cinema;
-
Teatro moderno;
-
Agência conceito da Caixa.
A expectativa do governador Jerônimo Rodrigues é de celeridade nas obras. “Nosso diálogo tem sido para que, até o segundo semestre, a primeira etapa desse projeto seja inaugurada”, afirmou o gestor, destacando a parceria estratégica com o Governo Federal.



Resgate da Memória e do Futuro
Para a ministra Margareth Menezes, a ocupação do Palacete Saldanha tem um simbolismo de resgate. O prédio, que formou gerações de artífices e trabalhadores manuais (muitos deles durante o período da escravidão e pós-abolição), agora servirá à democratização da arte. “Um prédio imponente, que respira séculos de arte e resistência, não poderia permanecer de portas fechadas. Precisa pulsar com a vida e a criatividade do nosso povo”, declarou a ministra.
O secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, reforçou que a entrega faz parte de um plano maior de revitalização do Centro Antigo, que já inclui a implantação do CCBB (no Palácio da Aclamação) e negociações avançadas para um centro cultural do Banco do Nordeste na região.
Impacto Econômico
Além do ganho artístico, a obra promete movimentar a economia criativa local. Segundo Carlos Vieira, presidente da Caixa, o investimento terá “retorno proporcional em geração de emprego e em um conjunto de possibilidades que o setor da cultura movimenta”.
O Palacete Saldanha foi construído no início do século XVIII e funcionou como escola do Liceu de Artes e Ofícios de 1874 a 2007. Após anos sem uso pleno, ele renasce agora como âncora cultural de Salvador.
Fotos: Pablo Ramos











