
O jornalismo e a cultura baiana se despedem de José Cerqueira Filho, que morreu neste sábado (28), em Salvador, aos 78 anos. O jornalista, conhecido entre colegas e amigos como Cerqueirinha, realizava tratamento contra um tumor no fígado e um edema pulmonar agudo.
O velório foi realizado neste domingo (29), no Jardim da Saudade, na capital baiana, com cerimônia de cremação prevista para as 14h. José Cerqueira deixa esposa e uma filha.
Formado em Jornalismo pela antiga Escola de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba), instituição que antecedeu a atual Faculdade de Comunicação (Facom), Cerqueira construiu uma trajetória reconhecida na imprensa baiana e nacional.
Ao longo da carreira, atuou como colunista de música no jornal A Tarde, integrou a área de comunicação da Telebahia e foi diretor de Comunicação da Companhia Petroquímica do Nordeste, hoje Braskem. Também teve passagem por Brasília, onde trabalhou na cobertura política.
Ainda nos anos 1970, durante sua formação acadêmica, já se destacava pela articulação com o meio cultural. Em 1973, levou o compositor Gonzaguinha para um encontro com estudantes da UFBA, iniciativa lembrada por colegas como um marco de sua criatividade e proximidade com a cena artística.
Atuação na cultura baiana
Além da trajetória no jornalismo, José Cerqueira foi reconhecido como um importante articulador da cultura na Bahia. Entre as iniciativas que contou com seu apoio está o Troféu Caymmi, uma das principais premiações da música baiana, criada em homenagem a Dorival Caymmi.
Sua atuação também esteve ligada ao fortalecimento do Prêmio Bahia Aplaude, tradicional reconhecimento das artes cênicas no estado, anteriormente conhecido como Prêmio Braskem de Teatro. Cerqueira é lembrado como um dos maiores incentivadores da premiação, contribuindo para sua consolidação como referência no teatro baiano e no estímulo à produção artística local.
A conexão com o prêmio reforça sua presença não apenas no jornalismo, mas também no fomento às expressões culturais que ajudam a construir a memória artística da Bahia.
Repercussão
A morte do jornalista gerou manifestações de pesar de entidades da comunicação e da cultura. Em nota, a Faculdade de Comunicação da UFBA lamentou a perda e prestou solidariedade à família, amigos e colegas de profissão.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (Sinjorba) também destacou sua trajetória na imprensa e sua presença constante em atividades da entidade.
Nas redes sociais, colegas e representantes do meio cultural ressaltaram sua ética, compromisso profissional e contribuição para a valorização da cultura baiana.











