
As avenidas de Itabuna ainda ecoam a energia do último sábado (17), quando uma multidão tomou o centro da cidade para celebrar a 45ª Lavagem do Beco do Fuxico. Considerado Patrimônio Imaterial do município, o evento confirmou sua vocação de ser muito mais que um pré-carnaval: foi um palco de sincretismo religioso, celebração popular e, historicamente, de posicionamento político.
O cortejo das baianas estilizadas, com seus potes de água de cheiro e flores, liderou a massa pelas avenidas Duque de Caxias e do Cinquentenário até a Travessa Adolfo Leite (o famoso Beco). A festa reuniu famílias, turistas e foliões de todas as idades, consolidando-se como a expressão mais genuína da identidade grapiúna.
O Palco da Democracia e a Voz das Ruas
Historicamente conhecido como um espaço de manifestação popular — tendo sido palco de atos como o “Fora Collor” no passado —, o Beco do Fuxico manteve sua tradição de politização em 2026. Entre os trios e blocos tradicionais, como o centenário Maria Rosa (95 anos de história) e o Mendigos de Gravata, ecoaram pautas urgentes como o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho e a defesa dos direitos trabalhistas.
Sobre essa dualidade entre festa e luta, Wenceslau Junior, Superintendente da Economia Solidária, professor da UESC, advogado e mestre em Direito, analisou a importância do evento para a soberania popular:
“A Lavagem do Beco do Fuxico representa a força da Cultura Popular Grapiúna. Não apenas sobre Carnaval. É sobre cultura, sobre protesto, sobre inclusão e fortalecimento da democracia. É sobre defesa da Soberania Nacional de cada povo. O apoio da prefeitura, por meio da FICC e do Governo do Estado da Bahia, por meio da BAHIAGAS é fundamental. Mas quem faz a festa é o movimento social e sindical de Itabuna.”
Diversidade e Economia
A festa começou cedo e democrática. À tarde, a Praça Adami recebeu a 4ª edição do Bailinho Infantil, que teve como destaque o fenômeno mirim das redes sociais, Arthur Gomes, e seu hit “Piruliru Baby”. Mais tarde, blocos afro, de capoeira e alternativos, como o Lá Vamos com a Capoeira e As Mokréias, deram o tom da diversidade.
Para o prefeito Augusto Castro, o sucesso da Lavagem é o termômetro ideal para o Carnaval Antecipado, que acontecerá entre os dias 22 e 25 de fevereiro. A expectativa é receber até 120 mil pessoas no Circuito Sabará. “A festa é uma tradição do nosso povo. À Prefeitura coube a ampliação e modernização, mas é o povo que vem às ruas na celebração de fé. Isso movimenta a hotelaria, serviços e gera empregos”, celebrou o gestor.
O presidente da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC), Aldo Rebouças, reforçou que o clima de paz e a adesão massiva provam que a Lavagem é uma “marca cultural” insubstituível da cidade.











