Pelourinho eterniza legado do samba-reggae: Praça das Artes ganha o nome de Mestre Neguinho do Samba

Aprovada pela ALBA, mudança batiza espaço no Centro Histórico em homenagem ao gênio da percussão que revolucionou a música baiana.
Publicado em 17 de dezembro de 2025
Foto: Divulgação

O som dos tambores que ecoa pelas ladeiras do Pelourinho agora tem um endereço oficial que honra seu principal arquiteto. A Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) aprovou, na sessão da última segunda-feira (15), o Projeto de Lei nº 26.047/2025, que altera a denominação de um dos espaços mais vibrantes do Centro Histórico. A antiga “Praça das Artes, Cultura e Memória” passa a se chamar, oficialmente, Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba.

A proposta, encaminhada pelo governador Jerônimo Rodrigues e aprovada por maioria no plenário, tramitou em regime de urgência como uma forma de reconhecimento estatal à contribuição inestimável de Antônio Luís Alves de Souza, o Neguinho do Samba, para a identidade cultural da Bahia. A relatoria oral coube ao deputado Rosemberg Pinto (PT), que destacou em seu parecer não apenas a genialidade musical do homenageado, mas sua conexão física e afetiva com o território.

O Alquimista do Ritmo

Neguinho do Samba não foi apenas um músico; foi um inventor. Nascido em 1955, ele foi o responsável por fundir o samba duro com o reggae jamaicano e toques de candomblé, criando o samba-reggae — a batida que redefiniu o Carnaval de Salvador e projetou o bloco afro Olodum internacionalmente. Sua trajetória inclui ainda uma passagem fundamental pelo Ilê Aiyê, onde atuou como diretor de bateria por 11 anos e ajudou a fundar o bloco, além da criação da Banda Didá, projeto pioneiro voltado para mulheres percussionistas.

Memória e Território

A escolha do local para a homenagem não é aleatória. Neguinho foi morador do Pelourinho e uma figura central no movimento de revitalização cultural que o bairro viveu nas últimas décadas. Transformar a praça em um monumento ao seu nome é, segundo a justificativa do projeto, uma maneira de perpetuar sua trajetória sociopolítica e artística no solo onde ele formou gerações de percussionistas.

“O artista deixou um legado de inovação, representatividade e valorização da cultura afro-baiana”, reforçou o texto do governo, sublinhando que a medida visa preservar a memória coletiva e reafirmar o compromisso com as expressões artísticas que moldam a “baianidade”.