
Em exibição há exatas quatro semanas, a exposição “Ancestral: Afro-Américas” se consolidou como um dos principais destaques culturais em cartaz em Salvador. O público tem a oportunidade de visitar a mostra no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), que propõe um mergulho profundo nos vínculos artísticos e históricos compartilhados entre o Brasil e os Estados Unidos. Com cerca de 160 obras, a exposição estabelece um diálogo transatlântico sobre identidade, resistência e o legado da diáspora africana.
O projeto, que tem direção artística de Marcello Dantas e curadoria de Ana Beatriz Almeida, não é uma simples coletânea de obras. A exposição foi estruturada em três eixos centrais que provocam o visitante: Corpo, Sonho e Espaço. A curadora, Ana Beatriz Almeida, destaca que a mostra busca explorar como artistas afrodiaspóricos “redefiniram a ética e a estética”, muitas vezes convergindo em suas poéticas apesar de estarem em territórios distintos. É uma reflexão sobre como a ancestralidade, mesmo após a brutalidade da colonização, foi reconstruída e se tornou a base de uma nova forma de existir e criar.
Um Panteão de Artistas em Diálogo
Para ilustrar essa potente conexão, a curadoria reuniu um panteão de artistas fundamentais de ambas as nações. O público encontrará lado a lado obras de mestres brasileiros como Abdias Nascimento, Mestre Didi, Emanuel Araújo, Sonia Gomes e Bispo do Rosário, em conversa direta com ícones norte-americanos, incluindo Simone Leigh, Melvin Edwards, Carrie Mae Weems, Kara Walker e Lorna Simpson. Essa justaposição permite ao visitante enxergar a “chama ancestral”, como define Dantas, que se manteve viva em ambos os lados do Atlântico.
Os Pilares da Exposição
A expografia orgânica da mostra guia o visitante por esses três núcleos temáticos que estruturam a narrativa. O eixo “Corpo” investiga a resistência e a afirmação na representação do corpo negro. O núcleo “Sonho” mergulha na dimensão onírica e na abstração como ferramentas de identidade e herança. Por fim, “Espaço” aborda as noções de território, imigração, comunidade e a reivindicação de lugar no mundo. Além desses pilares, a exposição conta com uma seção especial dedicada à arte africana tradicional, com curadoria de Renato Araújo da Silva, que funciona como o ponto de partida ancestral para toda a criação artística apresentada.
Serviço e Acesso
“Ancestral: Afro-Américas” é uma realização do MUNCAB e do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), com produção da Magnetoscópi e patrocínio do BB Asset e Google, através da Lei de Incentivo à Cultura. A exposição fica em cartaz no Centro Histórico até o dia 1º de fevereiro de 2026, oferecendo tempo suficiente para o público se programar. A visitação acontece de terça a domingo, das 10h às 17h, e os ingressos custam R$20 (inteira) e R$10 (meia). Em uma ação de democratização do acesso, as entradas são gratuitas para todos os visitantes às quartas-feiras e domingos.
- O quê: Exposição “Ancestral: Afro-Américas”
- Quando: Em cartaz até 1º de fevereiro de 2026
- Onde: Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) – Rua das Vassouras, 25, Centro Histórico
- Funcionamento: Terça a domingo, das 10h às 17h (acesso até 16h30)
- Ingressos: R$20 (inteira) e R$10 (meia) | Gratuito às quartas e domingos











