Bienal do Lixo encerra primeira edição em Salvador com legado permanente

Evento atraiu mais de 8 mil pessoas ao Farol da Barra e doou escultura que ficará exposta no Forte de Santa Maria.
Publicado em 10 de setembro de 2025
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Reprodução / Imprensa

A primeira edição da Bienal do Lixo em Salvador chegou ao fim no último domingo (7), consolidando-se como um sucesso de público e um marco para o debate sobre sustentabilidade na capital baiana. Durante quatro dias de programação intensa e gratuita, mais de 8.500 visitantes circularam entre o Farol da Barra e a Associação Atlética da Bahia para participar de uma imersão cultural e socioambiental que deixou marcas permanentes na cidade.

Um dos principais legados do evento foi a doação da escultura “Polvo”, do artista Cláudio Calvo da Silva, ao patrimônio cultural soteropolitano. A obra, confeccionada com chapas de ferro, garrafas PET e outros materiais reaproveitados, ficará em exposição permanente no Largo do Forte de Santa Maria, na Barra. Além da obra de arte, a Bienal aplicou o conceito de economia circular ao transformar as lonas utilizadas em sua estrutura em bancos, que foram entregues à Associação de Moradores e Amigos da Barra (Amabarra).

 

Programação diversificada une arte, cinema e debates

 

Com curadoria e produção das agências La Mela e Usina, a Bienal ofereceu uma agenda robusta e gratuita nos seus dois espaços. O circuito de visitação incluiu uma exposição principal com obras de oito artistas que transformaram resíduos em peças de forte impacto estético e crítico. A sétima arte marcou presença na Mostra de Cinema Ambiental, que exibiu oito produções, entre curtas e documentários, sobre descarte e reaproveitamento. Além disso, cinco painéis de diálogos reuniram especialistas para debater temas como a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a economia circular e as perspectivas para a COP30. A programação contou ainda com 15 oficinas criativas, um desfile de moda sustentável e a participação internacional da ONG queniana Ocean Sole, que expôs esculturas feitas com chinelos reciclados.

O sucesso da iniciativa foi celebrado tanto pelos idealizadores do projeto quanto pelo poder público. Representantes da organização destacaram a calorosa recepção do público soteropolitano e o alcance das discussões propostas. Para a gestão municipal, através da Secretaria de Sustentabilidade (Secis), o evento representou um marco na articulação entre sociedade civil, artistas e a Prefeitura, reforçando o compromisso de Salvador com a inovação e a construção de uma cidade mais resiliente e consciente.

A Bienal do Lixo 2025 foi viabilizada pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, com apresentação do Ministério da Cultura e do Rabobank, e realização das agências La Mela e Usina. O evento se alinha aos debates globais sobre mudanças climáticas, posicionando Salvador como um polo de discussões relevantes sobre o futuro do planeta.