Itamaraty revela arquivo digital sobre o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas

Iniciativa é fundamental para a reconstrução da memória coletiva brasileira e para a valorização crítica da herança afro-brasileira.
Publicado em 9 de setembro de 2025

Uma coleção de documentos históricos sobre o tráfico de pessoas escravizadas no século XIX foi tornada pública pelo Ministério das Relações Exteriores. O acervo, com quase 26 mil páginas, foi inteiramente digitalizado e está disponível para consulta pública. A documentação pertence ao Museu Histórico e Diplomático e estava sob a guarda do Arquivo Histórico do Itamaraty.

O material abrange registros de aproximadamente 160 embarcações que foram interceptadas por esquadras navais de diversas nações. Os casos foram levados a julgamento por uma comissão internacional sediada em Serra Leoa, que operou de 1815 até meados do século XIX. Os arquivos revelam as condições desumanas a bordo dos navios e as táticas políticas e legais empregadas para tentar manter o comércio de seres humanos.

CGMET

A disponibilização deste acervo vai além do valor acadêmico. Ao expor as engrenagens burocráticas e jurídicas que sustentavam o comércio de pessoas, os documentos desconstroem visões simplificadas do passado e ajudam a formalizar a compreensão sobre a escravidão como um sistema meticulosamente organizado. Essa clareza é essencial para a construção de uma consciência político-social mais crítica e honesta no imaginário coletivo do país.

Para a cultura afro-brasileira, o acesso a esses registros representa uma ferramenta poderosa de afirmação e resgate. Cada página oferece a possibilidade de encontrar vestígios de uma história que foi sistematicamente apagada. A análise das informações pode ajudar a traçar rotas, identificar origens e compreender a dimensão humana de uma das maiores tragédias da história, enaltecendo a resiliência e a ancestralidade que formam um pilar da identidade nacional.

A iniciativa busca ampliar o debate público sobre o legado da escravidão e fortalecer o combate ao racismo estrutural. O acesso facilitado a fontes primárias como estas é um passo importante para a democratização do conhecimento e para a promoção de novas pesquisas nas áreas de Ciências Humanas e Sociais.

O acervo está disponível gratuitamente no Itamaraty Digital, acesse:

https://atom.itamaraty.gov.br/index.php/cmis