
O Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador, está em processo de transformação que redefine seu papel como principal equipamento cultural da Bahia. As obras em andamento representam o maior investimento já realizado desde a inauguração, em 1967, e abrangem tanto a preservação de áreas tombadas quanto a ampliação de sua estrutura.
O projeto, executado pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado (Secult-BA), inclui a construção de um edifício vertical, estreito e alongado, denominado “edifício lâmina”. A nova edificação vai interligar a Rua Leovigildo Filgueiras, no Garcia, à Esplanada do TCA, criando acesso direto à Concha Acústica e à Sala do Coro.
Segundo a engenheira responsável, Neyde Cerqueira, o prédio terá dois elevadores e circulação adaptada para garantir autonomia de deslocamento a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Além de funcionar como eixo de ligação, a estrutura abrigará almoxarifados, áreas técnicas, depósitos e sanitários de apoio.
As intervenções também abrangem a modernização da sala principal, com revisão da acústica, atualização da mecânica cênica e melhorias em sonorização e iluminação. O projeto inclui ainda ações de sustentabilidade, como a reutilização de materiais e a instalação de um sistema de captação de águas pluviais destinado à manutenção dos jardins.

Outros espaços do complexo também receberão melhorias. O foyer passará por restauro, o jardim suspenso será revitalizado, e os setores técnicos e administrativos ganharão infraestrutura atualizada. O investimento ultrapassa R$ 260 milhões, envolvendo tanto obras civis quanto novos equipamentos.
De acordo com o presidente da Conder, José Trindade, a obra já alcançou aproximadamente 50% de execução. A previsão é que todo o conjunto seja entregue em 2026 pelo governador Jerônimo Rodrigues. Para ele, o TCA será devolvido ao público em condições mais acessíveis, modernas e preparadas para atender às demandas artísticas e sociais da contemporaneidade.
As intervenções foram autorizadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgão responsável por assegurar a preservação do valor histórico e estético do edifício. O processo faz parte do chamado Novo TCA, iniciado em 2016 com a requalificação da Concha Acústica e continuado em 2018 com a Sala do Coro.
A expectativa é que, ao final do projeto, o Teatro Castro Alves consolide-se ainda mais como referência no cenário cultural brasileiro, combinando respeito à memória arquitetônica com inovações técnicas e de acessibilidade.











