O casarão histórico que foi residência do poeta Castro Alves, na Rua do Paço, 52, no Centro Histórico de Salvador, volta a receber o Movimento IRUN no próximo sábado, 17 de agosto, das 14h às 20h. Idealizada pela estilista e designer de joias Márcia Ganem, a iniciativa propõe uma programação diversificada que reúne moda, arte, debate, exposição e música, bem como articula memórias ancestrais e expressões contemporâneas.
O evento será aberto às 14h com o Show Room Caboclo, espaço dedicado à moda, arte e identidade. Designers e artesãos apresentarão peças que mesclam técnicas tradicionais a propostas sustentáveis e inovadoras, transformando saberes populares em criações únicas.
Às 15h, o público poderá participar de uma roda de conversa com o coletivo Tamo Juntas, organização feminista, antirracista e anti-LGBTfóbica com sede em Salvador e atuação nacional. O grupo oferece assessoria jurídica, psicológica, pedagógica e social gratuita a mulheres em situação de violência. Contudo, a atividade vai além da escuta: será também um espaço de troca sobre estratégias de enfrentamento e resistência cotidiana.

A partir das 17h, a programação segue com a vernissage da Exposição IRUN, que reúne obras fotográficas, registros rituais e oralidades de povos originários, comunidades afrodescendentes, de terreiro e culturas caboclas. A mostra propõe uma experiência imersiva, aproximando o visitante de cosmovisões e modos de vida que preservam memórias, práticas ecológicas e resistências históricas.
O encerramento será às 19h, com o show “EletroSamba”, da cantora e compositora Ayrá Soares, acompanhada pelo guitarrista Ângelo Canja. No repertório, clássicos do samba nacional, sambas de roda e composições autorais, em um diálogo musical que une tradição e inovação. Reconhecida por sua atuação artística e militância, Ayrá se inspira em matrizes afro-baianas e em referências como Elza Soares, trazendo ao palco uma performance marcada por força estética e engajamento político.
O Movimento IRUN, cujo nome vem da língua tupinambá e significa “irmão” ou “companheiro”, é uma plataforma de ações continuadas que integra arte, ancestralidade e sustentabilidade para a construção de futuros coletivos e regenerativos. Mais do que um evento, é um processo desenvolvido em ciclos junto a comunidades tradicionais da Bahia, como o Caxuté, as Rendeiras de Saubara, o Assentamento Terra Vista e grupos culturais da Região Metropolitana de Salvador. Cada ciclo contempla ações de reconhecimento cultural, formação, trocas de saberes e materialização artística.
A metodologia que orienta o projeto, chamada Design Dialógico, estimula a escuta ativa e a co-criação, resultando em soluções sustentáveis baseadas nos saberes locais. O objetivo é fortalecer o protagonismo comunitário, fomentar economias colaborativas e promover diálogos intergeracionais. Todavia, esse processo não se limita à valorização cultural: ele também contribui para o desenvolvimento social e econômico das comunidades envolvidas.
Segundo Márcia Ganem, idealizadora do Movimento IRUN e fundadora da Casa de Castro Alves, a edição de agosto reafirma o compromisso com a valorização da diversidade cultural: “O IRUN é um convite para a partilha de saberes e para a construção de redes que conectam arte, memória e transformação social”.
A iniciativa foi contemplada pelos editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia (PNAB) e conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, via PNAB, com recursos direcionados pelo Ministério da Cultura – Governo Federal, porém também integra a Política Nacional Cultura Viva.











